Como se não bastasse a escolha pela cerveja, agora se escolhe a marca da emissora. Record ou Band? Brahma ou Nova Schin? Enfim, hoje se muda de emissora como se troca de produto. E o público simplesmente assiste a tudo isso. Datena apresentava o telejornal na TV Bandeirantes e se dizia leal à emissora, até que um convite tentador da concorrente Record, o levou da Band. Calma, por pouco tempo. Bastou estrear na Record que Datena passou a ter saudade da Band. Ou seja, nem esquentou a cadeira e já estava de volta. É a primeira vez que, em tão pouco tempo, um apresentador de telejornal sai de uma emissora e vai para outra e depois volta atrás com o mesmo discurso. Mas não dá para criticar o jornalista. Se o fez foi porque tinha quem aceitasse tal situação. Afinal dinheiro fala mais alto. Jogador de futebol conhece bem essa história. Ama a camisa do time vermelho até ver a oferta do time que veste a camisa roxa. E por aí vai. Nem a equipe camisa verde e amarela escapa! Datena trocou e destrocou. No episódio do Zeca Pagodinho, não foi muito diferente. Trocou a Brahma pela Nova Schin e depois voltou à Brahma. Sabor? Embalagem? Dinheiro? Vai saber. Em um mundo em que a palavra acaba valendo pouco perto do dinheiro, e os discursos são momentâneos, ainda bem que ainda existe o bom senso. Existe sim, o bom senso, o bom humor e as boas ideias na publicidade brasileira. Como por exemplo no anúncio de oportunidade de Epocler, que com rapidez e longe de contratos milionários envolvendo figuras famosas, aproveitou-se da discussão entre as cervejas Brahma e Nova Schin para criar um anúncio fantástico. Anúncio de oportunidade alltype apenas se referindo ao Zeca e à mistura das cervejas. Rápido, pois foi publicado exatamente na semana da briga das marcas pelo sambista e barato. Na guerra das trocas e da mistura, vence quem tem bom senso, tem palavra e sabe fazer bem feito.