BiiiiBiii…os “veículos” da propaganda: dos bondes aos busdoors!

 

O som ou a buzina dos bondes confesso desconhecer. Já a buzina dos ônibus está por aí, nas grandes metrópolis. Em comum, o fato de serem veículos que transportam pessoas e veículos que transportaram e ainda transportam mensagens publicitárias. Não dá pra falar da História da Propaganda no Brasil, sem falar dos veículos.

 O discurso persuasivo da propaganda presente na mídia de massa através de frases, expressões, enfim palavras que produzem efeitos fantásticos, principalmente quando repetido em emissoras de rádio e televisão, destacado em revistas, exposto em outdoors, busdoors, ou seja na mídia exterior, além de presente no cinema, na internet, por meio da adequação da linguagem nos veículos. Discurso é discurso e na propaganda é discurso pronto da vender, convencer!

Vale destacar um anunciante em potencial que atravessou anos na história da propaganda, o medicamento. E dos cartazes em bondes, aos primeiros anúncios de revistas, a promessa de cura sempre acompanhou a propaganda de medicamentos. E não há dúvida que através da poesia, os jogos de palavras deram vida persuasiva aos primeiros anúncios da propaganda brasileira, como o de Bastos Tigre “Veja ilustre passageiro, o belo tipo faceiro que o senhor tem ao seu lado. E, no entanto acredite, quase morreu de bronquite, salvou-o o Rhum Creosotado.” (Temporão, 1986, p 36). 

Por volta de 1900, os reclames, como eram chamados os anúncios, eram aparentemente ingênuos, pois não havia um especialista para escrevê-los. Ora os anunciantes, com a ânsia de vender acabavam por criar, ora os poetas eram contratados para escrever rimas a respeito das qualidades do anunciante, enquanto os artistas plásticos e pintores ilustravam os anúncios.

Naquela época, certamente um mercado em crescimento não deixaria de ver com outros olhos a poesia que tanto contribuiu para as práticas comerciais de uma época. O curioso é perceber que ao resgatar o passado pode-se entender melhor o presente, analisando os discursos persuasivos e polissêmicos existentes nos anúncios atuais, sobretudo os de medicamentos, já que a indústria farmacêutica jamais deixou de anunciar.

Se os criadores de anúncios tinham como autores: Olavo Bilac, Emílio Menezes, Hermes Fontes, Basílio Viana e Bastos Tigre, grandes poetas, hoje os anúncios são elaborados nas agências, por publicitários, especialistas em persuasão. Muitos “velhos” anunciantes continuam a anunciar. Se a mensagem mudou de mãos e os veículos também foram substituídos, parte dos anunciantes, em especial os medicamentos sobreviveu aos tempos. Xarope S. João, Emulsão de Scott, Aspirina, Bromil, Cafiaspirina, Eno, Biotônico Fontoura, dentre outros, ainda ocupam as prateleiras das farmácias e drogarias e persistem em propagar seus jingles, filmes publicitários, anúncios e mensagens inseridas em busdoors.

As mensagens em bondes, com o passar dos anos, e claro que com a susbtituição desse veículo, por outros, passou a ocupar a mídia exterior com tamanha velocidade, a velocidade de um verdadeiro veículo em fase de aceleração no crescimento. A mídia exterior, que chega a ocupar boa parte das ruas, por meio de taxidoor, busdoor, luminosos, relógios, abrigos, cestos de lixo, ou seja, boa parte do mobiliário urbano, invadiu as grandes cidades. Crescimento desenfreado? Talvez. Assim como o consumo de um analgésico ou de sabonetes, os veículos avançaram o sinal e os velhos bondes, que viviam sobre trilhos, deram lugar ao trânsito caótico dos transportes coletivos: metrôs, taxidoors, busdoors que não param de ser ocupados por anúncios.

Talvez os meios não justifiquem os fins. Talvez os veículos de comunicação não divulguem com sucesso todo e qualquer tipo de mensagem publicitária. Mas também os veículos que transportam pessoas, talvez estejam longe da perfeição.

É melhor ficar atento à história, não perder o bom senso nem mesmo a linha de raciocínio. O importante é acompanhar tim tim por tim tim se estão realmente dizendo coisa com coisa!

 

 

 

2 Respostas para “BiiiiBiii…os “veículos” da propaganda: dos bondes aos busdoors!”

  1. Carlos Alexandre Cordeiro da Costa e Silva Disse:

    Pois é, os veículos mudam, mas a área útil também, algumas as mesmas, mas usadas de maneira muito mais sábia, total e, quiçá, mais promissora. Como não há de faltar (em alguns comentários meus) esse seu escritinho (não sou pedagogo, então não creio que o diminutivo diminua a importância do post) deixo aqui um link para mostrar que os espaços públicos que envolvem os transportes também são artigos de ânsia em vender mais e melhor, tá ai:

    http://englishrussia.com/?p=2202

    Um beijo e um abraço dum ex-aluno desavisado.

  2. DANIEL SAVERRIO Disse:

    adorei a materia

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