Datena é o Zeca Pagodinho da TV. Ainda bem que existe Epocler!

agosto 12, 2011

Como se não bastasse a escolha pela cerveja, agora se escolhe a marca da emissora. Record ou Band? Brahma ou Nova Schin? Enfim, hoje se muda de emissora como se troca de produto. E o público simplesmente assiste a tudo isso. Datena apresentava o telejornal na TV Bandeirantes e se dizia leal à emissora, até que um convite tentador da concorrente Record, o levou da Band. Calma, por pouco tempo. Bastou estrear na Record que Datena passou a ter saudade da Band. Ou seja, nem esquentou a cadeira e já estava de volta. É a primeira vez que, em tão pouco tempo, um apresentador de telejornal sai de uma emissora e vai para outra e depois volta atrás com o mesmo discurso. Mas não dá para criticar o jornalista. Se o fez foi porque tinha quem aceitasse tal situação. Afinal dinheiro fala mais alto. Jogador de futebol conhece bem essa história. Ama a camisa do time vermelho até ver a oferta do time que veste a camisa roxa. E por aí vai. Nem a equipe camisa verde e amarela escapa! Datena trocou e destrocou. No episódio do Zeca Pagodinho, não foi muito diferente. Trocou a Brahma pela Nova Schin e depois voltou à Brahma. Sabor? Embalagem? Dinheiro? Vai saber. Em um mundo em que a palavra acaba valendo pouco perto do dinheiro, e os discursos são momentâneos, ainda bem que ainda existe o bom senso. Existe sim, o bom senso, o bom humor e as boas ideias na publicidade brasileira. Como por exemplo no anúncio de oportunidade de Epocler, que com rapidez e longe de contratos milionários envolvendo figuras famosas, aproveitou-se da discussão entre as cervejas Brahma e Nova Schin para criar um anúncio fantástico. Anúncio de oportunidade alltype apenas se referindo ao Zeca e à mistura das cervejas. Rápido, pois foi publicado exatamente na semana da briga das marcas pelo sambista e barato. Na guerra das trocas e da mistura, vence quem tem bom senso, tem palavra e sabe fazer bem feito.

Propaganda infantil para adultos.

maio 15, 2011

Desde sempre as crianças são utilizadas como ferramenta persuasiva na propaganda mundial. Isso quando não são alvo das mais variadas mensagens, por vezes, ilusórias, de bonecas, carrinhos, chocolates, iogurtes e biscoitos. Quando alvo, insistem ao pais que comprem isso ou aquilo. Mas como ferramentas persuasivas, as crianças são utilizadas em comerciais para adultos. Ou seja, o pai, a mãe ou mesmo os que nem ainda pensaram em ter filhos olham a mensagem e, comovidos, soltam o famoso “ohhhh que gracinha!”. Esse suspiro ou elogio já basta para que muitos desses consumidores recorram ao produto ou serviço com a certeza de que, de alguma maneira, a inocência esteja alí. E quando se trata de um carro, aí sim a coisa parece mudar, apenas parece, porque na verdade a sensação é a mesma. A criança desperta a atenção e tem sim credibilidade. Afinal, a  imagem de um produto atrelada a ingênua e pura imagem da criança, pode, eu disse pode, ter um sentido lúdico e puro. Ao mesmo tempo, uma forte associação com o bom e correto.

Abuso. Isso sim. Usar criança para propagar carro, remédio e outros produtos que nada têm a ver com ela, me parece um grande abuso. Talvez até covardia ou falta de criatividade. 

No anúncio da Johnson e Johnson, que desde sempre utilizou a imagem das crianças para atrair adultos, lembrando que  nesse caso o produto é infantil, portanto de uso da criança, percebe-se a mistura da ingenuidade aos fatos, benefícios do produto.

E você, o que anda tomando por aí?

abril 18, 2009

Se desde aproximados anos 10 o anúncio do Xarope São João já proclamava “larga-me, deixa-me gritar”, sugerindo a tosse como o mal e o remédio como o bem, não é difícil entender porque brasileiro gosta tanto de um remedinho aqui, outro ali. O marketing da dor não deixa dúvidas do seu interesse em flagrar os leigos e acometidos pela dor. O uso irracional de medicamentos é o resultado da herança cultural em se automedicar e do alto investimento em marketing e em propaganda pela indústria farmacêutica. Se antes para eliminar a dor de cabeça o chá da vovó com o tal analgésico era o mais indicado, a prescrição de hoje não mudou muito, um coquetel de medicamentos é ingerido diariamente e comprado de maneira indiscriminada pelas pessoas em drogarias. Para dor de cabeça, o analgésico que promete sumir com a dor num piscar de olhos seria o mais indicado; para a dor de estômago, é melhor o “tomou, passou”; já para a tosse que tanto irrita a garganta e atrapalha a vida das pessoas, que tal o tradicional Xarope São João?; gripe? As opções são tantas que chega a dar um nó no pensamento: qual escolher? Talvez seja melhor ficar com Aspirina, que desde 1912, por meio do fabricante alemão Bayer, se destaca no Brasil com a forte presença na mídia. Mas se o problema é fraqueza e indisposição, o indicado seria o Biotônico Fontoura, que desde sempre levantou os fracos e debilitados, até levantou o Jeca Tatuzinho, de Monteiro Lobato. Promessas. A indústria farmacêutica sempre prometeu o que quase nunca pode cumprir.
Mas bem antes dessas promessas “rotuladas”, da forte presença da indústria, lá em 1840, se lia no Jornal do Commercio:
“Curam-se dores, zunidos e surdez antiga de ouvidos, ainda que tenha anos, também asma, defluxo asmático, solitária, hemorróidas, erisipelas e escravos viciosos de comer barro ou terra, ainda que já estejam opilados; assim como os viciosos de bebida: quem quiser utilizar-se dos préstimos acima dirija-se à Rua do Parto, 93.” (Bueno, Eduardo, 2008)
“Pode-se afirmar, portanto, que, antes do advento da propaganda de medicamentos propriamente dita, o Brasil vivenciou um preâmbulo – uma espécie de “pré-história” –, caracterizada não pela publicação de “reclames de remédios”, mas por anúncios de “curandeiros”. (Bueno, Eduardo, 2008)
De curandeiros para benzedeiras, de manipuladores no fundo das casas ao chazinho da vovó, das garrafadas aos conselhos de amigos e familiares. E médico que deveria prescrever medicamento, nada. O caos na saúde, a escassa comunicação interpessoal médico/paciente faz com que o doente procure as mais diversas maneiras de se curar. E tomar remédio sem saber o que está ingerindo é a principal delas. O Brasil é um dos primeiros do ranking de automedicação. E morre mais gente de intoxicação por ingestão de medicamentos do que por muitas doenças conhecidas. O que difere medicamento de veneno é a dose. Ou seja, sem informação, sem médico, não se pode tomar remédio e ponto.
O brasileiro sempre se automedicou. O que ocorre é que com tanta farmácia, drogaria, com tanto acesso, o uso irracional de medicamentos passou a fazer parte da vida do cidadão. Algo comum. Compra-se antigripal como se compra pão. Aliás existem mais farmácias do que padarias em algumas partes do país.
O xarope Bromil, durante muito tempo prometeu curar a tosse em 24h e o tônico Saúde da Mulher, mais do que um regulador que assegurava combater todos os desconfortos da mulher, passou a ser o libertador feminino. Bromil foi também o amigo do peito dos poetas, que por longo período serviram à propaganda brasileira como redatores publicitários. Olavo Bilac, grande escritor, chegou a dar um depoimento favorável ao medicamento, testemunhando em anúncio de revista o consumo de Bromil.
Ou seja, o ontem e o hoje na propaganda de medicamentos são recheados de aspectos históricos, culturais e sociais. Uma busca infinita das pessoas pela cura e um interesse infinito da indústria farmacêutica em oferecer o medicamento que promete a tal cura. No meio disso tudo, órgãos fiscalizadores e moralizadores da Saúde e da Comunicação não conseguem fiscalizar as mensagens abusivas nas propagandas nem combater o excessivo uso de medicamentos e, acabam por nomear os brasileiros de hipocondríacos. A vítima passa a culpado e os remedinhos continuam a ser vendidos e consumidos em dose exagerada. O, aparentemente inofensivo, medicamento para dor de cabeça pode dar uma tremenda dor de cabeça. E por falar nisso, o que você anda tomando? Coisa com coisa é assim, ajuda você a refletir antes de ingerir o próximo comprimido.

BiiiiBiii…os “veículos” da propaganda: dos bondes aos busdoors!

julho 29, 2008

 

O som ou a buzina dos bondes confesso desconhecer. Já a buzina dos ônibus está por aí, nas grandes metrópolis. Em comum, o fato de serem veículos que transportam pessoas e veículos que transportaram e ainda transportam mensagens publicitárias. Não dá pra falar da História da Propaganda no Brasil, sem falar dos veículos.

 O discurso persuasivo da propaganda presente na mídia de massa através de frases, expressões, enfim palavras que produzem efeitos fantásticos, principalmente quando repetido em emissoras de rádio e televisão, destacado em revistas, exposto em outdoors, busdoors, ou seja na mídia exterior, além de presente no cinema, na internet, por meio da adequação da linguagem nos veículos. Discurso é discurso e na propaganda é discurso pronto da vender, convencer!

Vale destacar um anunciante em potencial que atravessou anos na história da propaganda, o medicamento. E dos cartazes em bondes, aos primeiros anúncios de revistas, a promessa de cura sempre acompanhou a propaganda de medicamentos. E não há dúvida que através da poesia, os jogos de palavras deram vida persuasiva aos primeiros anúncios da propaganda brasileira, como o de Bastos Tigre “Veja ilustre passageiro, o belo tipo faceiro que o senhor tem ao seu lado. E, no entanto acredite, quase morreu de bronquite, salvou-o o Rhum Creosotado.” (Temporão, 1986, p 36). 

Por volta de 1900, os reclames, como eram chamados os anúncios, eram aparentemente ingênuos, pois não havia um especialista para escrevê-los. Ora os anunciantes, com a ânsia de vender acabavam por criar, ora os poetas eram contratados para escrever rimas a respeito das qualidades do anunciante, enquanto os artistas plásticos e pintores ilustravam os anúncios.

Naquela época, certamente um mercado em crescimento não deixaria de ver com outros olhos a poesia que tanto contribuiu para as práticas comerciais de uma época. O curioso é perceber que ao resgatar o passado pode-se entender melhor o presente, analisando os discursos persuasivos e polissêmicos existentes nos anúncios atuais, sobretudo os de medicamentos, já que a indústria farmacêutica jamais deixou de anunciar.

Se os criadores de anúncios tinham como autores: Olavo Bilac, Emílio Menezes, Hermes Fontes, Basílio Viana e Bastos Tigre, grandes poetas, hoje os anúncios são elaborados nas agências, por publicitários, especialistas em persuasão. Muitos “velhos” anunciantes continuam a anunciar. Se a mensagem mudou de mãos e os veículos também foram substituídos, parte dos anunciantes, em especial os medicamentos sobreviveu aos tempos. Xarope S. João, Emulsão de Scott, Aspirina, Bromil, Cafiaspirina, Eno, Biotônico Fontoura, dentre outros, ainda ocupam as prateleiras das farmácias e drogarias e persistem em propagar seus jingles, filmes publicitários, anúncios e mensagens inseridas em busdoors.

As mensagens em bondes, com o passar dos anos, e claro que com a susbtituição desse veículo, por outros, passou a ocupar a mídia exterior com tamanha velocidade, a velocidade de um verdadeiro veículo em fase de aceleração no crescimento. A mídia exterior, que chega a ocupar boa parte das ruas, por meio de taxidoor, busdoor, luminosos, relógios, abrigos, cestos de lixo, ou seja, boa parte do mobiliário urbano, invadiu as grandes cidades. Crescimento desenfreado? Talvez. Assim como o consumo de um analgésico ou de sabonetes, os veículos avançaram o sinal e os velhos bondes, que viviam sobre trilhos, deram lugar ao trânsito caótico dos transportes coletivos: metrôs, taxidoors, busdoors que não param de ser ocupados por anúncios.

Talvez os meios não justifiquem os fins. Talvez os veículos de comunicação não divulguem com sucesso todo e qualquer tipo de mensagem publicitária. Mas também os veículos que transportam pessoas, talvez estejam longe da perfeição.

É melhor ficar atento à história, não perder o bom senso nem mesmo a linha de raciocínio. O importante é acompanhar tim tim por tim tim se estão realmente dizendo coisa com coisa!

 

 

 


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